OSTRA-VIDA.
Eu queria ser uma ostra,
dentro de si mesma, inviolável
criando minha própria linguagem
para sempre a todo instante
incomunicável, desde tempos
imemoriáveis, sem pressupostos
ou pretenções de verdade
eu apenas queria ser ostra.
Eu queria ter uma ostra
uma palavra hermética qualquer
para colorir de preto e branco
o amargo azul e vermelho
pintado por todos os lados;
eu queria ter outra ostra
para permanecer como ostra
sem que meus medos
estivessem à am-ostra.
Eu queria estar numa ostra
como prisioneiro deste abrigo
asilo infinito, eterno, inviolável,
por uma infinidade de tempo
ser esquecido numa ostra
para recriar o próprio conceito
que todos fazem de liberdade,
para superar o próprio conceito
que todos têm da própria ilusão.
Eu queria transformar meu quarto
numa grande ostra robusta
para, aqui dentro, solitário e sombrio,
ter somente o imponente vazio
como companhia silenciosa;
Eu queria superar a fase de gente
pois isso faz de mim um deformado,
e, em determinadas horas do dia,
ficaria apenas metade vivo
e as o(u)stras, metade ostra.
Vinicius Falcão
01/09/07
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Postado por Vinicius Falcão às 02:47 1 comentários
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